domingo, 27 de março de 2011

O “jeitinho brasileiro” continua tema atual! E A MAÇONARIA?



Escrevo hoje este pequeno texto motivado pelo que escreveu nosso irmão Eduardo Neves em 07/05/2010 e que está documentado neste blog.

Pois é, caros meus irmãos, os ministros do Supremo Tribunal Federal - STF decidiram considerar que corrupção do passado recente é passada, e que de acordo com a Carta Magna não pode atingir a escória que pretende ser reconduzida às cadeiras nas casas legislativas pelo país afora: é o mesmo que dizer: “as raposas podem, por ora, tomar conta das galinhas”.

Incrível interpretar a Lei Maior do país dessa forma; Constituição existe nas nações democráticas para defender o interesse dos povos, mas também existe nas ditaduras totalitárias em suas diferentes vertentes, e está lá para defender os interesses da dominação. Sabemos por vivência da nossa própria história recente, que ter constituição não é seguro contra injustiça e que apesar de tratar-se de bem importantíssimo, superior a todas as leis menores sujeitas a interesses locais e corporativos, a suprema autoridade da Constituição não pode se contrapor às evidencias da prática de crimes sejam de cunho administrativo, eleitoral, penal, civil, ambiental, trabalhista ou outro que seja. Nada pode obstar a apuração e a devida resposta a um crime. Imutabilidade dos postulados deve ser defendida à luz da contemporaneidade dos costumes e não apenas da previsão incauta dos constituintes do momento passado. Uma conduta criminosa sempre deve ser passível da imputação da devida penalidade, e da obstrução dos direitos da cidadania aos infratores. A razão de terem sido descobertas infrações agora não significa que não sejam passíveis das penalidades, pra começar a constituição está posta desde 1988, e ser ético é obrigação desde sempre, especialmente quando a pessoa se arvora em qualquer nível dos caminhos da gestão pública. Ética é simplesmente uma condição de CERTO E ERRADO. Ética é o que se espera de políticos, é ser correto sempre consigo, sem publicidade. A ética consiste em agir corretamente quando ninguém está observando, nos limites da consciência, quando as atitudes não necessariamente serão públicas, quando a ação é pautada pela boa formação educacional e espiritual e não por medo se ser pego pelas ações escusas, medo da publicidade do crime. Os ministros do STF devem defender a Constituição que se presta a defender ao povo, e se esta, por alguma errata ou má formação de nascença, se contraponha aos interesses do povo, o supremo tribunal defenderá o que? A letra morta ou a Nação? O STF serve ao povo e ponto final!

E a maçonaria serve a quem?

Desde que comecei minha jornada maçônica sempre acreditei no que me era posto nas discussões templárias e nas instruções dadas: formação de líderes em prol da construção da sociedade. Ah, mais uma coisa, crescimento espiritual mediante o entendimento dos fartos ensinamentos esotéricos à nossa disposição. Então, pressupõe-se que assistimos a maçonaria perpetrar abundante formação de líderes que se contrapõem aos desmandos na sociedade, que especulam e agem para conquistar mudanças esperadas pelos cidadãos, no sentido de assumir o papel que lhe cabe desde sua paulatina formação nas tavernas e nas cervejarias do último período da idade medieval.

Infelizmente não é isso que observamos. Exatamente ao contrário, temos lojas maçônicas inertes a tudo que não seja seus próprios interesses individuais, suas pautas de reuniões, suas festas, suas palestras, sessões brancas, etc. Nenhum interesse mais amplo, orgânico com suas lojas co-irmãs, que deveria ser estimulado e maestrado pela Potência.  E nossa Potência, faz isso? Que apoio nos confere? Para que serve?

A GLESP como congrega diversas lojas em todo o território do estado de São Paulo, deveria estar muito atenta a todo esse movimento político e ser a protagonista de mobilizações contra os disparates cometidos contra a sociedade. Mas o que vemos é a potência ser passiva e permissiva pra tudo que é político que bata às suas portas, aplaude e dá amparo às discussões e projetos de quaisquer políticos que venham a seus templos, como por exemplo, no passado recente, a proposta estapafúrdia e fora do foco da maçonaria da divisão do território brasileiro para a criação de novo estado independente no norte/nordeste, ou então, propostas de parceria utópica da maçonaria com o governo federal posta por dirigente que mal fala o português, que mal se mantive no poder e que hoje está no ostracismo. Tudo fora do foco da maçonaria. Mas esse absurdo que assistimos, o de aceitar que a escória humana volte ao poder nas legislaturas federais, estaduais e municipais, isso não, não temos nada a ver com isso. Temos que continuar cuidando de nossa pauta festiva e inócua. Juntamente com ocrescimento da vaidade e do orgulho infundado,os templos pululam e o estruturalismo da nossa GLESP fica cada vez maior e mais complexo; temos nos tornado figuras decorativas e exóticas, algo fora do lugar e do tempo, algo inerte e nojento que deveríamos afastar de nossas vidas. A Potência consome grande parte dos recursos das lojas e devolve o que em benefício, o que em coordenação?

Penso que seria melhor voltarmos aos tempos da Tavernas, nos tempos dos “copos d’água” repletos de cerveja, vinhos e víveres onde se praticava a tradicional e boa discussão maçônica intervencionista com o foco no ideal de defender o justo na sociedade.

O “jeitinho brasileiro” e a atitude maçônica

Publicado em 07/05/2010 no blog http://ogansoeagrelha.wordpress.com/

por Eduardo Neves

A corrupção é constantemente apontada como um dos maiores problemas da sociedade brasileira. A classe política vem perdendo credibilidade a passos largos, e instituições como o congresso e o senado passam por uma crise como nunca presenciamos. Entretanto, os mesmos cidadãos que avaliam negativamente os detentores de cargos públicos costumam recorrer a expedientes que ferem a ética ou mesmo a lei, em ações rotineiras do dia-a-dia. Estamos nos referindo à malandragem, ao jogo de cintura, ao famoso “jeitinho brasileiro”.
Esta categoria de comportamento já está incorporada à nossa identidade cultural. Desde pequenos, somos quase que oficialmente ensinados que sempre há uma forma mais fácil para resolvermos nossos problemas: desde o simples ato de furar uma fila no banco, passando pela anulação de multas de trânsito com a ajuda de um amigo, até o famoso “gato” de energia elétrica, vamos preenchendo nossas vidas com irregularidades que, de tão repetidas, nos parecem absolutamente naturais. O malandro é cantado em músicas de grande sucesso, e tem até papel de destaque nas novelas de maior audiência. É aquele sujeito esperto, simpático, que sempre tem uma história divertida para contar, sobre como conseguiu “se dar bem” em alguma negociação. Em geral, sorrimos com estas pilhérias, caçoando do pobre coitado que foi passado para trás pelo nosso sagaz colega malandro.
Entretanto, curiosamente, também exaltamos a pessoa honesta, íntegra, que trabalha duro para comprar aquilo que deseja e não atrasa nenhuma conta. Falamos com admiração de pessoas assim, e fazemos questão de ensinar tais qualidades aos nossos filhos. A ética universal, os valores morais, a retidão de conduta, também são ensinamentos presentes na vida da imensa maioria dos brasileiros, seja através de suas famílias, seja nas escolas, ou nas congregações religiosas. Essa ambigüidade nos leva a alguns questionamentos. O que fez a sociedade então cultivar essa aceitação da malandragem? O “jeitinho” é realmente nocivo ou é apenas circunstancial, podendo conviver lado a lado com a ética tradicional? O que a Maçonaria nos diz disso tudo?
Os historiadores e filósofos têm seguido algumas correntes de pensamento, na tentativa de explicar a origem e a aceitação do jeitinho brasileiro. Sem nos aprofundarmos, podemos afirmar que a maioria, no entanto, concorda que a malandragem surgiu como uma resposta dos menos favorecidos, frente a um abandono do Estado. As pessoas se cansaram da situação de terem que pagar impostos que, em vez de converterem-se em serviços públicos como saúde, educação e segurança, são desviados para beneficiar grupos políticos ou bancar os luxos de quem ocupa os cargos eletivos. Dessa forma, essas transgressões adquirem aceitação, devido à revolta causada pelo desamparo do governo.
Podemos citar como exemplo dessa tese os camelôs que vendem cópias piratas de discos, pois não conseguem emprego formal. Muitos de nós, certamente, acham melhor uma pessoa estar vendendo CDs piratas do que estar, por exemplo, assaltando nossas residências. Paralelamente, sabemos que um CD oficial tem cerca de 50% de seu preço devido aos impostos. Como temos a convicção de que esses impostos não serão usados em nosso benefício, participamos do crime da pirataria, comprando os artigos falsos, tanto como alternativa de baixo custo como uma retaliação solitária ao mau uso do nosso dinheiro pelo governo. Acontece que a prática da malandragem termina ferindo não só aqueles que nos prejudicam. Ao comprarmos um CD pirata, estamos desrespeitando justamente o esforço de um artista que gostamos. Estamos desvalorizando o seu trabalho, e contribuindo para que a sua atividade seja prejudicada.
Assim, a prática regular do jeitinho brasileiro termina por fazer parte de uma cadeia de eventos muito maior, que terminará sempre em saldo negativo. Enquanto nos damos bem, outras pessoas serão prejudicadas. Se furarmos uma fila, quem estiver imediatamente atrás de nós passará muito mais tempo esperando. É injusto. Se estacionarmos em uma vaga reservada aos deficientes, estes não terão a acessibilidade necessária para sua locomoção, já naturalmente dificultada. É imoral. Se não pagamos nossa energia por conta de um “gato”, estamos roubando. É ilegal.

Em uma Loja Maçônica, os maçons trabalham para erguer templos à virtude e cavar masmorras aos vícios. A malandragem, pois, é um vício, e dos graves. A ânsia de querer sempre levar vantagem em tudo deve ser aniquilada. Temos que cultivar a vontade de vencer na vida, claro, mas por meio do trabalho, das boas ações, das atitudes positivas, do altruísmo, da prática do bem. A ética deve reger nossa existência, em quaisquer circunstâncias. Aliás, é nas adversidades que somos, de fato, testados. É durante uma dificuldade que nosso aprendizado maçônico é posto à prova.
A maçonaria ensina que devemos viver uma vida de virtudes. Não vamos, jamais, nos render às tentações das facilidades, das maneiras fáceis, do jeitinho, pois isso é ceder aos vícios. Ademais, agindo como malandros, que moral teremos para cobrar retidão de nossos governantes? Que exemplo estaremos deixando para nossos filhos, e por consequência, para as gerações futuras? Um maçom deve se negar a esse tipo de conduta. Devemos fazer a nossa parte para que a sociedade acabe com esta glamourização da malandragem. Sabemos que os mais necessitados, desamparados pelo poder público, às vezes são forçados a usar deste expediente para sobreviver. Mas isso não significa que eles estejam agindo da maneira correta. Este comportamento é um erro social, gerado pela má administração que nosso país vem sofrendo historicamente. Porém, nós devemos começar fazendo a nossa parte para que ele seja consertado. Devemos dar o exemplo e cobrar atitudes do estado que resolvam os problemas dos menos favorecidos, para que eles não mais precisem apelar para a malandragem como meio de sobrevivência.
Não podemos aceitar o “jeitinho brasileiro” como padrão de comportamento em nossas vidas. Busquemos a ética, sempre. Vamos votar em candidatos que, por sua vez, também sejam comprometidos com essa maneira de pensar. Vamos varrer os corruptos da política brasileira, e varrer os desvios de conduta do nosso dia-a-dia. Isso pode parecer uma utopia, mas toda realidade começa a partir de um sonho. Agindo assim, teremos a certeza de estarmos vivendo de acordo com os ideais de ética, verdade e justiça que nossa Augusta Maçonaria tanto nos ensina.



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sábado, 26 de março de 2011

MAÇONARIA NUNCA FOI RELIGIÃO

As Lojas maçônicas atualmente trabalham em "templos", o que parece uma contradição, já que se entende que "templo" é local de prática religiosa, e maçonaria todos sabem que não é religião. Na verdade, a maçonaria considera seus templos como lugares sagrados, mas não de evocação religiosa, entendendo-se "sagrado" como "reservado", onde se cultua algo precioso, mas não necessariamente uma "religião". O uso do termo vem da antiga Roma, do latim "templum" que significava o local onde os sacerdotes se posicionavam, a céu aberto, para observá-lo e às manifestações "celestiais" da natureza. Note-se que o termo "contemplar" compõe-se, precisamente, de "cum + templum", com o significado de "estar absorto com o tempo", vindo, etimologicamente, a assumir a carga mística que hoje encerra.


Por que esses locais reservados pelos maçons para o trabalho de suas Lojas são denominados templos? Isso não acabaria dando a impressão de que aí se pratica uma religião? Sim, isso é mesmo tido como verdade por muitos nas comunidades no entorno desses templos, mas o pior, isso ser aceito como verdade até por muitos integrantes das próprias lojas maçônicas.

No passado, os locais das reuniões das lojas maçônicas se davam nos adros das igrejas, das catedrais, ou, como era mais comum, nas tavernas, nas cervejarias, nas estalagens e hospedarias, em salas reservadas, depois que os maçons deixavam seus trabalhos que eram em geral na construção de obras civis góticas. Os trabalhos maçônicos nada tinham a ver com templos.

Quatro Lojas inglesas que fundaram em 1717 a Grande Loja de Londres e Westminster, cada uma se reunia em quatro locais distintos: 1) O Ganso e a Grelha (The Goose and Gridiron); 2) A Coroa (The Crown); 3) A Macieira (The Apple Tree) e 4) O Copázio e as Uvas (The Rummer and Grapes), sendo cervejarias as duas primeiras e tabernas as duas últimas, que emprestavam seus nomes para essas Lojas que, na época, ainda não costumavam ter nomes distintivos próprios, como hoje.

Fundada a Grande Loja de Londres e Westminster (24/06/1717), demorou muito ainda para que as lojas ganhassem espaços próprios para seus trabalhos; elas continuam se reunindo nos mesmos locais de sempre, em sua grande maioria, porque era costume ocorrerem as reuniões às mesas de fartas refeições, os maçons comendo, bebendo e discutindo seus temas e até mesmo "admitindo" novos obreiros. O simbolismo, entretanto, já estava presente, mesmo porque ele é da essência da Instituição. Assim, durante as reuniões, nesses locais, riscavam sobre o chão os desenhos maçônicos (colunas, trolhas, compassos, réguas, esquadros, etc.), ou então dispunham de uma espécie de tapete, onde tais desenhos já estavam previamente grafados.

Foi somente em 1775, com a pedra fundamental lançada a 1º de maio, que tem início, em Londres, na “Great Queen-Street”, a construção do primeiro templo maçônico, o "Freemason's Hall". Soberbo, majestoso, imponente, belíssimo, foi inaugurado um ano depois, no dia 23 de maio de 1776, com as características que conhecemos hoje. Na França, em 1788, também se constrói o primeiro templo maçônico. Desde então, as Lojas Regulares foram proibidas de voltarem a se reunir em tavernas e ambientes similares. Esse primeiro templo maçônico seguiu os mesmos princípios de orientação e divisão interna das igrejas anglicanas da Inglaterra, que, por sua vez, obedeciam ao modelo do Templo de Salomão; outras influências se fizeram sentir, ao longo do tempo, perseguindo-se a intenção, por exemplo, de que o templo maçônico represente a terra e o universo ao pintar o teto como um céu cheio de estrelas, de planetas, o Sol e a Lua, lembrando um costume egípcio (Templo de Lúxor); enfeiitaram-no depois com as colunas Jônica, Dórica e Coríntia, mais as estátuas de Minerva, Hermes e Vênus, e as Doze Colunas Zodiacais, como num templo greco-romano. Outra forte influência foi a do Parlamento britânico, com a disposição dos assentos, onde o Primeiro Ministro tem assento na “Great Chair”, ao fundo da sala (oriente), e fica ladeado pelos líderes do governo e da oposição. Os parlamentares restantes ficam no resto da sala (ocidente), sentados uns em frente aos outros, separados por um corredor. A disposição assim, triangular, no ápice, a “Great Chair”, ao lado esquerdo e lado direito do corredor, os parlamentares da situação e os da oposição. Atualmente, há os parlamentares independentes que se sentam no corredor central, de frente para a “Great Chair”. A sala que antecede esse local, do lado de fora, chama-se "Sala dos Passos Perdidos", que foi também adotada nos templos maçônicos. Com a posterior proliferação de ritos, os templos maçônicos foram sendo alterados, ainda que, na essência, guardassem as mesmas peculiaridades do original.

CONCLUSÃO: Livres pensadores secretos e atuantes nunca precisaram de templos para praticar maçonaria, muito ao contrário, depois da advinda destes parece que a maçonaria não se transformou de operativa para especulativa, mas de operativa para inoperativa. Antigamente, depois de um dia de labor intenso, encontravam-se nossos irmãos em folguedo nas suas reuniões em tavernas, onde se deliciando com bons vinhos, cervejas e víveres apetitosos, arquitetavam, articulavam e agiam em prol de ideais úteis e práticos à sociedade. O estruturalismo das potências, o militar disciplinamento nos templos mais que engessaram os descendentes desses antigos livres pensadores, que agora mais se confundem e se perdem nas excessivas religiosidades e esoterismos praticados nas atuais reuniões que pouco têm a ver com o fulcro da maçonaria. Cultura esotérica é coisa importante, mas o embasamento da maçonaria na estéril discussão filosófica divorciada da ação da luta social fez com que chegássemos ao que temos hoje: maçonaria especulativa que venda os seus adeptos e os posta no caminho da especulação de braços cruzados. Melhor seria voltarmos às tavernas, nosso natural habitat; talvez, por isso, gostamos bem mais dos copos d’água do que as longas jornadas templárias. Melhor seria juntarmos esses pensadores revolucionários no seu próprio habitat, nas suas tavernas maçônicas, como dantes, aos moldes de sua origem, sem o engessamento das reuniões em templos, com escasso tempo, com imposição disciplinar, ordem das palavras, protocolos, rituais, boletins infindáveis e ordens do dia de mesmos conteúdos que pouco acrescentam, teorias sem prática, dissonantes do comportamento e da necessidade dos obreiros. Operar é a palavra de ordem; voltemos a ser operativos, a planejar nossas ações calcadas na realidade social, discussões e planejamentos que funcionem, regados a cerveja, bons vinhos e bons víveres, como antigamente.



segunda-feira, 14 de março de 2011

A ESCOLHA DO REI


ra uma vez um reino muito, muito distante, que tinha uma Constituição monarquista republicana que previa a troca do rei a cada período de mandato ou quando este não tivesse mais condições políticas para continuar seu reinado. A Carta Magna do reino não contemplava a sucessão automática à coroa pelo primogênito e sim através de um sufrágio universal, onde as escolhas sempre recaiam sobre o herdeiro ao trono escolhido pelo monarca quando ainda no inicio do mandato. Isso tinha naturalmente o apoio da maioria do reinado, pois sempre era escolhido o príncipe mais experiente, aquele que vivia funções de braço direito como vice-rei, ou seja, havia sucessão com novas idéias, mas não havia interrupção no governo, o que era bom.

O futuro rei já vinha então sendo preparado, já havia um sucessor natural ao trono, o príncipe vice-rei, apoiado por uma enorme quantidade de amigos súditos, pela comunidade de pescadores do reino, com amizades e alianças de várias comunidades poderosas do interior, e especialmente tinha o compromisso firmado com o rei para ocupar no futuro o trono. Esse vice-rei tinha larga experiência executiva, já desempenhava muitas atividades estratégicas além de fazer as vezes do rei em situações críticas, na verdade uma função chamada "segurar a peteca”, pois ocasiões sem conta o monarca senil, fã de "bailes da saudade", precisava ser representado ao faltar a compromissos políticos importantes, deixando  de comparecer à assembléia dos deputados para ir dançar em bailes no interior do reino.

O rei com frequência surtava de raiva no seu gabinete real, ficava agressivo, ameaçava bater com seu cetro proferindo cabeludos palavrões. Passada a fúria, quando se recompunha, apresentava-se afável com seus súditos, contava “causos” e histórias engraçadas, sempre cativando a simpatia dos muitos que não o conheciam na intimidade, e que por isso era tido  como um sujeito "bonzinho", chegando a ser chamado carinhosamente de "reizinho".  Pelo contumaz destempero, pela falta de realidade e de  objetividade nos projetos do governo, muito falatório começou a aparecer, e a cada  polêmica criada, uma saraivada de apelidos apareciam, os mais variados e injustos, tais como, "reizinho duas caras", "zeca marmita", "fanático do asilo", dentre outros... muita maldade! Mas, a contragosto, era chegado o  momento da escolha do sucessor ao trono.

O soberano reizinho, já desgastado pelo exercício sem realizações de seu governo, evitava encontros políticos onde não tinha muito a dizer, onde se perdia, e ao invés disso, ficava isolado pelos cantos no palácio, sonhando de forma quase obsessiva com a construção de uma futura casa para ir quando saísse do palácio, quando se retirasse do poder, uma espécie de abrigo de luxo para si e para seus amigos velhos mais próximos que denominou "Retiro do Monarca Idoso". Tinha o sonho de realizar uma obra maravilhosa como as pirâmides do Egito antigo, um monumento para si, para seu repouso eterno e pelo que seria lembrado para sempre. Não importava o custo da construção, da manutenção, nem tampouco o sofrimento do povo, pois entendia que uma obra divina como essa justificava o esforço descomunal de todos.  

Chegada a hora da escolha do novo sucessor, o rei refletiu melhor sobre a sucessão e resolveu chamar seus dois jovens filhos, e reunindo-se a eles disse: “Chegou o momento em que devo escolher o próximo rei, que será um de vocês”. Seus dois filhos eram boas pessoas mas muito diferentes, um príncipe líder de opinião, forte, já no cargo de vice-rei, determinado, com projetos próprios e novas idéias diferentes das do pai para seu reinado, e o outro um príncipe seu irmão que mal nenhum fazia a quem quer que fosse,  entretanto, também nenhum bem protagonizava, "cumpria tabela", apenas ficava à sombra, era uma pessoa que ninguém do reino conhecia, era um total subordinado às vontades do pai. 

O príncipe mais experiente ficou surpreso e se revoltou, pois não cabia a escolha entre os dois irmãos naquele momento, não era o que se esperava em face do que se estabelecera há tempos no reino, especialmente porque haveria de ser considerada a palavra empenhada por um rei. O príncipe menos experiente, também surpreso, é claro, se calou e procurou agradar o pai e se postar submisso como sempre fora, defendendo inclusive os projetos escalafobéticos do rei, vislumbrando, naturalmente, a oportunidade de ouro para se tornar soberano no reino, mesmo que tutelado pelo pai e sua corriola; se tornar rei era algo até então impensável.

Mas o reizinho fez pior, depois da primeira conversa, chamou novamente os príncipes e deu-lhes a notícia: "Depois de refletir com meus botões, decidi ser coerente com a conduta que sempre pautei na vida. Resolvo tomar uma decisão que não tem lógica alguma, mudando minha opinião mesmo que faltando com a palavra empenhada". Com isso, a escolha não recaíra para o melhor para o reino, não fora a escolha do mais capacitado para governar, e sim o príncipe menos experiente, aquele com quem não tinha prévio compromisso, aquele que julgava que poderia manobrar. Tomando essa decisão pensou nos  objetivos pessoais de não abandono do poder, contornava o problema que enfrentava que era sua saída do poder estabelecida pela Constituição do reino, e como não tinha apoio para mudá-la, pareceu-lhe o golpe de mestre se perpetuar politicamente através de um poste. 

O príncipe vice-rei inconformado, partiu para disputar as eleições do reino contrapondo-se a seu irmão, agora adversário em outra chapa, motivado que estava pela esperança de assumir um reino com legitimidade e isenção, livre para tomar as decisões que escolher com seu conselho e não como subserviente de um monarca manipulador. Escolhe ser honesto e liderar com a confiança na sua capacidade, “confiança no seu taco”, e não ser um marionete fruto da manipulação de poder de uma máquina. O vice-rei resolveu não se curvar à prepotência de alguém que se acha acima do bem e do mal ao julgar que decisões intempestivas são mais valiosas que palavra empenhada. O vice-rei resolveu lutar contra o pai que tentou eleger um poste sem vivencia executiva no reino  com fins egoístas, acreditando que o sucesso só vem com trabalho duro, dedicação e longa experiência, o contrário da fantasia arquitetada pela manipulação real.

O vice-rei acaba ganhando as eleições e faz um reinado de liberdade, de igualdade e de fraternidade com todos e para todos; o reizinho deposto se isola, cai no esquecimento e fica morando no terreno do inacabado "Retiro do Monarca Idoso", onde se especializou em reflorestamento, plantador de árvores; o príncipe derrotado, que até então não tinha grande expressão, acaba colaborando com o irmão na condução do novo reinado, torna-se conhecido, aumenta sua experiência nos assuntos do reino e fica aliviado por não ter de assumir responsabilidades para o que ainda não contava com experiencia suficiente. No fim, todos no reino viveram felizes para sempre!

"Se você plantar honestidade, colherá confiança. Se plantar humildade, colherá grandeza. Se plantar perseverança, colherá satisfação. Se plantar trabalho duro, colherá sucesso. Se plantar perdão, colherá reconciliação. Se plantar fé, colherá uma safra. Portanto, seja cuidadoso com o que planta hoje; isso determinará o que você colherá amanhã". "A pessoa honesta anda em paz e segurança, mas a desonesta será desmascarada" - Provérbios 10.9 

"As pessoas direitas são guiadas pela honestidade. A perversidade dos falsos é a sua própria desgraça" - Provérbios 11.3


Ir. Edson Monteiro

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ONDE ESTÁ A GRAÇA?

Vamos fazer algumas reflexões sobre a nossa Grande Loja.
Para começar, vamos tecer rápido comentário a respeito do judiciário. Você já pensou em coisa mais imprópria que o poder executivo da Ordem tenha autoridade sobre os ministros de todos os tribunais da GLESP? O ideal seria que as eleições para todo o judiciário fossem feitas na metade da gestão do executivo, com pelo menos duas chapas a disputar o pleito, caso contrário não se convocaria eleições; é isso, número mínimo de duas chapas. Isso seria interessante porque não teríamos irmãos envolvidos em duas campanhas simultâneas,  do executivo e do judiciário, que pode gerar aparelhamento político. Mas o pior é o que sempre acontenceu e temos presenciado ultimamente: decisões do judiciário serem desautorizadas por não estarem ao gosto do sereníssimo. Um judiciário maçônico que não tem autonomia interessa a quem? Precisamos fazer dessa reflexão algo de útil a propor em nossas assembléias, que seja de consenso, que definitivamente mude esse estado de coisas. Lutemos por um judiciário maçônico que aplique a lei nas questões maçônicas em todos os níveis da administração e na sociedade maçônica em geral, sem interferências; um judiciário com uma promotoria de justiça, uma defensoria e uma procuradoria que funcione sem interferência do executivo como é hoje, e sem atribuir funções judiciais de primeira instância a mestres instalados das regiões que não tenham a formação jurídica na vida profana. 
E o nosso poder legislativo? Vocês já se perguntaram se o nosso modelo de legislativo é eficaz, ou pelo menos eficiente, para nós e para a instituição? Os Veneráveis Mestres das Lojas integram o poder legislativo de nossa potência, quando representam suas oficinas nas assembléias. Será que desempenham realmente o papel que lhes cabe enquanto conscientes agentes do legislativo, que votam projetos, que apresentam proposições e analisam com firmeza e com convicção tudo que aparece nas Assembléia legislativas da GLESP convocadas a cada três meses? Na verdade, a grande maioria dos Veneráveis chegam nesses eventos às cegas, sem conhecimento de pauta, sem posicionamentos frente às discussões que enfrentará. Na maciça maioria, a opinião desses representantes é formada no próprio momento da assembléia, pois é só lá que tomam ciência do completo conteúdo da pauta, propiciando decisões equivocadas em face da surpresa e da irreflexão sobre esses assuntos, e o que é pior, ficam suscetíveis à manipulação. Onde já se viu o exercício do poder legislativo às cegas desse jeito e só durante assembléias! Não temos um legislativo de verdade, atuante, focado e isento. Eu nunca vi representantes do legislativo (veneráveis) apresentarem projetos de lei; nunca vi em assembléia, os veneráveis discutirem pela ordem quaisquer projetos, ou emendas a projetos, ou propostas de emendas à Constituição Maçônica (PEC); nunca vi disputas de bancadas para os projetos saírem de uma forma ou de outra, nunca vi ocorrer essa prática legislativa verdadeira, legítima e salutar. Realmente não vimos, não vemos e não veremos nunca se a estrutura desse legislativo inoperante continuar a vigorar. Nunca se vê um representante propor algo de bom para sua loja, para seu distrito ou para sua região. O que temos assistido é o protagonismo da administração da GLESP em torno de uma grande festa para amparar suas próprias propostas, projetos de tudo quanto é interesse exclusivo da administração, do executivo e suas comissões, que em geral não revertem em benefícios específicos às lojas: não é de agora, sempre foi assim! A GRANDE MAIORIA ESTÁ SILENTE, CONIVENTE, INERTE. Há uma crença (não sei aonde vai de verdade nisso) que afirma que o povo espanhol, muito crítico, muito combatente contra a política e seus políticos, se servem de um ditado que diz: “Si hay gobierno soy contra”. Parece muito radical, mas pelo menos dá idéia de não se iludir, de não se deixar manipular. Pois parece que nossos representantes do legislativo agem exatamente ao contrário: “Se tem governo estamos SEMPRE a favor”. Aí dá no que já deu: compra de imóveis inúteis, compra de carro Mercedes-Benz velho, criação de Supremo Conselho Espúrio, criação de asilo que vai consumir recursos que não teremos, tudo feito no “achismo”, no voluntarismo; é sempre muito desperdício, e sempre apoiado pelas assembléias; será que não vamos parar com isso? É triste, mas é assim que agimos: somos ausentes e estamos pagando por isso. AS ASSEMBLÉIAS APROVARAM E APROVAM TUDO! Tem outro ditado que vou disparar para nossa reflexão: “Cada povo tem o governo que merece!”. Pois então, as cabeçadas que sofremos geradas pelas administrações da GLESP não ocorrem por culpa só dos dirigentes incautos, mas por nossa culpa especialmente, porque não botamos um freio nesse estado de coisas, deixamos a  "coisa" proliferar. Não adianta escolher um suposto douto magistrado porque já vimos que ele não vai administrar um tribunal, e aliás, precisamos de um representante que não mais escolha defender seus interesses particulares. Temos que escolher melhor nossos dirigentes para que tenhamos orgulho de fazer parte da nossa potência, e começarmos de novo a achar graça em ser maçon. Nosso voto tem que deixar de ser exercido por amizade ou por simpatia. Do jeito que estamos agindo, cada um na sua, cada loja divorciada das outras, estamos divididos, enfraquecidos, impotentes. Já dizia Maquiavel: “O príncipe deve providenciar a divisão e a separação para melhor dominar”: é o literalmente conhecido “dividir para governar”. Acho que já percebemos que quem segue essa máxima são os vazios sem visão que precisam da divisão para valer sua vontade. O que temos hoje é uma extrema ação política do executivo da GLESP e uma total inoperância da parte de todos nós, das lojas, dos representantes legislativos das lojas nas assembléias; assim  fica difícil: de um lado, a administração (o executivo) da GLESP com máquina na mão, com um enorme ímpeto em mandar, dominar, julgar e inclusive até legislar, e do outro lado nós passivos assistentes de tudo isso. NÃO ADIANTA SÓ RECLAMAR, PRECISAMOS AGIR! Muitos veneráveis de Lojas não vão às assembléias, simplesmente não vão ou mandam prepostos, por lhes faltar motivação e sobrar um sentimento de inutilidade desses encontros. Como as assembléias teriam uma pauta mais interessante e motivadora? Com projetos criativos e ações amplamente participativas e mais motivadoras. Talvez se criássemos uma figura mais especializada e focada nas discussões e proposições de projetos úteis, conseqüentes, transformadores e modernizadores da Constituição Maçônica, das leis do regulamento geral, da justiça penal maçônica, da justiça eleitoral, do pecúlio e tudo o mais, aí, talvez, teríamos alguém que não se divide no comando de suas lojas e se preocuparia exclusivamente com as questões de uma comunidade maçônica, distrito ou região, e se acabariam as questões abandonadas, as disposições fossilizadas por não terem quem se ocupe delas. Talvez fosse o caso de criar-se a figura de deputados maçônicos, com reuniões específicas e sistemáticas nas questões legislativas da nossa Ordem, desenvolvendo projetos surgidos das bases com melhores chances de funcionamento das nossas instituições, melhora das condições da vida dos obreiros e de suas lojas. A atenção voltada às aspirações e demandas de todo um distrito ou uma região, se traduziria em discussões nas assembléias com ações concretas na capilaridade da nossa estrutura, e  acabaríamos com o “quebra-galho” de veneráveis fazendo o papel de legislativo, uma dupla função que exclui o ofício de legislar. Com uma função determinada por lei em nossa constituição como a de deputado maçônico, teríamos os irmãos com a aptidão para esse ofício, com a vontade para esse trabalho, escolhidos pelo voto e que teriam imunidade parlamentar que inibiria arbitrariedades do executivo, como coberturas de direitos aos opositores políticos que agem dentro da ética, do decoro e da fraternidade. Teríamos um legislativo eficiente, com agendas, projetos e demandas, e eficaz ferramenta de mudança do que nos desagrada. Esses parlamentares teriam suas comissões e seus fóruns de disciplina.
E o terceiro poder, o executivo? Bem, talvez o executivo devesse ficar entregue a irmãos eleitos especificamente para esse ofício, uma espécie de diretoria executiva, uma gestão profissional em que esses gestores seriam os responsáveis pela administração da Instituição, um trabalho técnico de dirigentes preparados que sejam administradores, executivos, e não como temos hoje, leigos em administração que não entendem do ofício de gestão e que com o poder delegado fazem o que querem e vão aprendendo com erros, muitos erros. É assim que devemos dar continuidade à administração do nosso patrimônio?
E a figura do Grão Mestre?
Temos visto a figura de tão nobre função se envolvendo em disputas menores por todo canto, envolvendo-se com irmãos e lojas em toda parte; vemos um cargo de notória majestade tornando-se alvo de críticas demeritórias porque se mete em assuntos demais, onde não deveria, prejudicando lojas (exemplo: Loja Astros da Arábia, Loja Milenium, Loja Cavaleiros de São João). Se a figura do Grão Mestre é tido como representante maior da instituição, figura de aura esotérica, detentor de grande conhecimento filosófico da instituição e de assuntos correlatos, deve ser a voz e o exemplo de sabedoria que irradia serenidade, austeridade, seriedade e amor pela causa maçônica e amor fraterno pelos irmãos indiscriminadamente. Enquanto o legislativo cria leis, cria condições, o judiciário as faz valer, o executivo as executa, o Grão-Mestre contemporiza, modera, acorda, e representa a instituição em toda a sociedade; jamais deveria julgar valores tradicionais da nossa Ordem e praticar punições precipitadas. Precisamos parar de ver a figura de cargo tão majestoso praticando piadas, ações injustas de coberturas de direito, tomando partido de tudo e se tornando litigante em ações na justiça maçônica e na justiça comum contra irmãos do quadro, dando mau exemplo de desobediência judicial. A figura do Grão Mestre, mais majestosa e menos executiva, como no governo parlamentarista britânico, com um executivo focado na execução das metas de governo estabelecidas pelo Grão Mestrado, seu conselho, pela assembléia das Lojas, pelo legislativo atuante exclusivamente às funções parlamentares, pelo judiciário isento, autônomo, técnico e soberano. Assim, teríamos orgulho de nossa instituição se todos os agentes do governo maçônico estivessem cada um na sua função, pessoas certas nos lugares certos, sem acúmulo de funções, sem desvios, sem duplicidade e sem os desvirtuamentos próprios dos que ocupam função sem o devido preparo. Não precisamos de irmãos metidos a engraçado, contando piadas nos "copos d'água", para dar sentido à ligação que temos nas Lojas; precisamos é pautar nosso comportamento por austeras atitudes, pragmáticas e úteis à sociedade em que vivemos, aí sim, haverá graça na maçonaria.